O novo coronavírus, a pandemia e a governança dos oceanos

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corona virus no mundo

O mundo está enfrentando uma pandemia sem precedentes no último século

“A pandemia global CoViD-19 já afetou mais de 170 países e está crescendo rapidamente em todo o mundo, particularmente nos países europeus, que se tornaram o principal foco depois da disseminação do vírus a partir da China, onde foi detectado pela primeira vez.” Gary Dagorn, Le Monde, 27 de fev de 2020.

Diante da necessidade inquestionável de parar o mundo para evitar uma hecatombe, as novas demandas de consumo e os cuidados com a assepsia requerem a utilização de máscaras, luvas, copos, sacolas plásticas, vestimentas descartáveis e muitas embalagens de uso único. Isso implica no aumento do volume de resíduos, cujos números só conheceremos mais tarde. Para uma estimativa da ordem de grandeza, o artigo publicado por Piotr Smolar e Nathalie Guibert em 28 de março no Le Monde, revelam que só a França encomendou 600 milhões de máscaras chinesas para repor os estoques.

Cabe refletir quais serão os impactos de todos esses resíduos que estão sendo utilizados por conta da crise sanitária, sobretudo plásticos e objetos com riscos de contaminação, principalmente em países que não têm boas práticas na gestão de resíduos.

No Brasil, a coleta seletiva ainda é realizada de forma incipiente, na sua maioria por trabalhadores informais, catadores, que, por questões de segurança, paralisaram suas atividades em vários locais. Mas há um percentual que continua recolhendo os resíduos e fazendo a separação, colocando suas vidas em risco. Fora dos sistemas públicos de assistência emergencial, não têm opção: ou continuam trabalhando e se expondo à contaminação, ou morrerão de fome.

Uma parte significativa da nossa população não tem condições ou consciência para separar seus resíduos domésticos. Mas há uma parcela que vem se esforçando para continuar a separação. Em bairros mais estruturados, empresas de limpeza urbana seguem na operacionalização da coleta. Mas como as operações de triagem e reciclagem estão paradas, montanhas de resíduos estão se acumulando. Boa parte sem a higienização devida, contribuindo para a proliferação de vetores.

Como gerenciar essa situação? Enviar para os aterros sanitários? Enterrar o lixo contaminado quando não há empresa para descontaminá-lo? Qual o risco real de contaminação? A maioria dos municípios não tem aterros sanitários. O lixo acaba em terrenos sem nenhum controle – os lixões. Vários deles se encontram à beira de corpos hídricos que deságuam na costa, passando por mangues, estuários etc.

Podemos minimizar riscos e danos com práticas de descartes mais seguros, cobrando responsabilidades e tomadas imediatas de ações das autoridades em relação à gestão desses resíduos hospitalares e de outros profissionais durante a crise da CoViD-19, inclusive dos resíduos domiciliares, bem como reconhecimento e formalização do trabalho dos catadores.

Temos que refletir e aprender com as situações de crise, sobretudo diante dos impactos econômicos massivos esperados para depois do surto mundial da SARS-2.

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